O meio ambiente e as experiências vividas deixam uma “marca” genética que, embora não altere o DNA, pode ser transmitida por muitas gerações.
Os genes dos seres vivos possuem uma espécie de “memória”, capaz de permanecer marcada pelos efeitos de tudo aquilo que lhes acontece durante a existência: a influência do meio ambiente em que vivem, as experiências pelas quais passam, as dores, os prazeres, os traumas e os aprendizados. Em resumo, tudo o que vivemos e todas as coisas com as quais entramos em contato “marcam” nossa memória genética e alteram não apenas nossa própria vida, mas também a dos nossos descendentes.
Para começar, sabemos que dois gêmeos univitelinos nascem com a mesma genética, mas, durante o crescimento, o ambiente e as experiências vividas alteram a expressão de alguns genes, ativando-os ou desativando-os, de forma que o potencial individual seja expressado ou reprimido. É por essas razões que dois ou mais irmãos gêmeos desse tipo, embora geneticamente idênticos, podem desenvolver, desde cedo, padrões de comportamento e características físicas diferentes.
Mas as coisas vão ainda mais longe: um estudo publicado recentemente na revista Science demonstra que essas importantes “marcas” ambientais, que influenciam o comportamento dos nossos genes, podem ser transmitidas por muito tempo — em alguns casos, por até 14 gerações, como demonstrado em pesquisas com vermes nematóides (Caenorhabditis elegans).
Esses estudos abrem caminhos para que a ciência comprove o acesso às informações que o campo morfogenético exerce na constelação familiar. 🌷 Um ótimo motivo para termos consciência do que estamos deixando como herança genética, não é mesmo?


